Como se deve acreditar no direito das partes, e em nome da ACZO, solicito a reconstituição do PONTO ANTIGO DOS BONDES, acompanhada por profissionais legalmente habilitados, para que o bem seja restabelecido tal como se encontrava, por ser matéria de direito público.
Na primeira tentativa de derrubada de parte do bem tombado, havia parecer favorável emitido pelo Conselho Municipal, como prescrito no Decreto de Desapropriação Municipal. Como o bem também foi tombado pelo Estado, dito parecer, desacompanhado de outro do Estado, não possui validade jurídica, por contrariar os interesses de outro ente federativo. A segunda intervenção é singular, por não apresentar o imprescindível parecer do órgão municipal, conforme se constatou, por telefone, ontem perante a assessoria do órgão, tão pouco, por óbvio, o estatal, sendo a derrubada, decisão imperial da Prefeitura.
Por iniciativa da ACZO e de funcionário da Comlurb, O Sr. Luiz, gerente do Horto Rio Verde, aderindo à iniciativa, ofereceu doação de plantas ornamentais para a restauração da Parada de Bondes, que se encontrava, por décadas, desprovida de ornamentos. Outra questão levantada e contemplada foi a pintura e restauração dos equipamentos da parada, além da colocação de placa indicativa quanto ao bem tombado.
Solicito a gentileza do envio por cópia, dos pareceres das comissões, dos três entes federativos, sobre a questão da duplicação, para que bem possamos entender os meandros técnicos que envolvem a questão.Costumeiramente, não tenho recebido respostas desta Douta SubPrefeitua. Nesta caso especial, solicito a fineza da resposta o mais rapidamente possível, dada a gravidade da ocorrência ilegal.Muito obrigado. Gilberto José MunizAssociação Cultural Zona Oeste, BCMMJ e Museu de C.Grande (21) 9285.5704 (21) 2415.4464
O CAMPO GRANDE ATLÉTICO CLUBE, OS PROCESSOS JUDICIAIS E O DESCONHECIMENTO DOS SÓCIOS.
A Associação Cultural da Zona Oeste - ACZO, protocolou no PROGER - Campo Grande, o texto abaixo - modelo, dirigido aos 4 processos a seguir discriminados, podendo assim, ser acompanhado por qualquer pessoa, junto ao sistema de informações processuais do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, tanto pelas máquinas internas, quanto pela internet.
Nenhum dos processo se refere aos interesse dos associados, mas sim, sobre o comércio esportivo e os interesses individuais entre empresários, jogadores e débitos junto aos fornecedores, todos completamente alheios aos interesses do quadro associativo. O que se observa é o definhamento do patrimônio dos associados, para o pagamento de danos a que não deram causa, mas sim, os empresários. A ACZO, com seu petitório, tenta obter cópia dos processos para sua disponibilização aos associados, através da internet ou pessoalmente. No entanto, qualquer pessoa ( principalmente os associados, todos respondendo por condenações a que não deram causa) pode comparecer aos cartórios e ter vista dos processos, no próprio cartório e bem entender a causa de seus projuizos.
Processo: 0011163-66.2005.8.19.0205 – (2005.205.011284-0) 4ª Vara Cívil Processo: 0013296-13.2007.8.19.0205 – (2007.205.013348-3) 2ª Vara CívilProcesso: 0002082-06.1999.8.19.0205 – (1999.205.100520-6) 4ª Vara Cívil Processo: 0017034-38.2009.8.19.0205 – (2009.205.017136-1) 1ª Vara Cívil
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da 4ª Vara Cível , Regional de Campo Grande, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de janeiro
Associação Cultural da Zona Oeste – ACZO, neste ato representado por seu Presidente, Gilberto José Muniz, brasileiro, casado, empresário, com suas atividades paralisadas, residente na Rua Cumai, 37, em Campo Grande, RJ, RG 80.879483-8 e CPF 238 249 997 49, cujo processo para a formalização legal da entidade encontra-se ajuizado perante o 26º JEC, processo 0038537-81.2010.8.19.0205, neste mesmo foro, na qualidade de sócio proprietário do Campo Grande Atlético Clube e de idealizador da Comissão em Prol do Campusca, realizando abaixo assinado, com mais de mil subscrições, entre as quais mais de cem pertencem a associados e o restante a ex-atletas, ex-funcionários, torcedores, admiradores, parentes de associados e jovens pretendentes à carreira profissional do futebol, vem, respeitosamente expor e requerer o que se segue. 1. A natureza do Campo Grande Atlético Clube é esportiva, social e cultural, sendo constituído pelos sócios fundadores e alavancado por outros sócios, empresários e a comunidade toda, inclusive não associada. Em que pese a participação acionária plural, as atividades sociais, culturais e as esportivas de interesse público, por décadas encontram-se na escuridão total, atuando o clube, apenas em proveito próprio de administrações ilegítimas que, de nenhum modo foram autorizadas a gerir ao arrepio da lei pública e daquela entre as partes, representada pelos Estatutos Aprovados em assembleias gerais .2. Lendo de passagem peças de um processo que corre pela 1ª Vara Cível, foi verificada a não existência de CNPJ, documento indicativo da legalidade da instituição, o documento de identidade da pessoa jurídica, pressupondo a inexistência também do cumprimento de outras obrigações legais, de tal modo que se afigura a despersonalização da pessoa jurídica do Campo Grande Atlético Clube. 3. Os poderes do clube são exercidos pela soberania das Assembléias Gerais, cumpridas integral e legalmente, o processo eletivo estatutário, este, devendo ser adaptado à CF/88, sob pena de nulidade absoluta, por violação legal. 4. Nos países democráticos, a publicidade é exigida a todos os gestores públicos. No entanto, o termo “escuridão total”, resume a falta absoluta desse preceito universal e constitucional, não havendo publicações nos dois órgãos de publicidade estatutários, jornais de grande circulação ou outros meios, de balanços patrimoniais, de resultados, de gestões, de processos eletivos e outros. Todo o conhecimento à respeito da gestão do clube deriva de boatos e sugestões genéricas. Possuindo dezenas de milhares de associados, os processos eletivos passados foram eivados de cavilosidades e violações aos Estatutos e à norma jurídica pétrea, sempre restritos ao pequeno número de sócios “notáveis”, esses, exculpados em cavilosidades estatutárias, se arrogam ao direito da eternização no poder e gestão do clube, por “nomeações de presidentes entre os notáveis” Se as atividades sociais do clube foram definitivamente encerradas pelos gestores, por décadas, pelo interesse apenas na comercialização das oportunidades esportivas, restrita aos mesmos sócios ad eternum, por certo os processos eletivos neste contexto, também se restringe, em detrimento da totalidade do quadro associativo, quando a maioria gritante, sequer toma conhecimento da realização ou não das eleições gerais, por absoluta sonegação de informações sobre os eventos. Em conversas com associados, notadamente durante o abaixo assinado promovido pela Associação Cultural da Zona Oeste, quanto ao comparecimento ou não nas eleições, as respostas se restringiam aos do tipo: “O Campo Grande Acabou”, “era sócio, mas não sou mais”, “Depois de 20 anos de inatividade social, o que eu posso esperar do clube?”, “Não sou sócio, mas sim, meu pai. No entanto ele morreu, não possuindo nenhum direito ao clube”, “Sou sócio ex-atleta. Como não há funcionamento do clube, não posso fazer nada”. O que se observa, data vênia, é a falta de conhecimento da condição de “sujeito de direitos e obrigações”, o que caracteriza o desconhecimento da norma jurídica ou julgamento temerário da mesma, consubstanciando o “frouxo sentimento de justiça”. Por ocasião da realização do abaixo assinado, alguns subscritores indicaram os números correspondentes a seus títulos [476 – título 3.944, 482 – 45.094, 485 – 15.792, 490 – 17.489, 578 – 1.716, 950 – 747, 964 – 3.722, 1.055 – 1.033], portanto, conforme a anotação do subscritor nº 482, seu título sendo “45.094”, exsurge a existência de mais de 45 mil títulos (sócios), no entanto, embora sem publicidade, algumas pessoas apontaram para o comparecimento de 1 ou 2 centenas de eleitores nas assembleias gerais, representando as mesmas menos de 0.5% do quadro associativo ou um nada, praticamente. Por boatos genéricos o que se tem conhecimento é quanto à existência de apenas 8 mil sócios. Mesmo minúsculo o comparecimento poderia se ter por razoável, desde que, houvesse de fato e de direito a realização do processo eletivo digno, com publicidade e atendimento à norma jurídica, posto que as faltas, poderiam ser admitidas como o direito da inércia do eleitor, o que não é o caso, mas sim, manipulação eleitoral. 5. A Comissão em Prol do Campusca entende que os direitos societários da maioria esmagadora foi e estão sendo violados por administrações despidas de legitimidade, por dilapidação dos patrimônios materiais, por execuções judiciais a que não deu causa e pela inexistência dos fundamentos do clube, por absoluta falta de programação cultural, social e esportiva, o que descaracteriza sua existência e induz à inadimplência forçada, pela irreflexão dos pagamentos mensais em contrapartida de um nada oferecido e dos pagamentos anuais dos sócios isentos de pagamentos, mas obrigados à “troca forçada” da carteira social, mesmo intacta e sem uso por décadas, expediente de todo caviloso, por afastar a maioria esmagadora do simples direito de entrar em seu próprio patrimônio e de participar da soberania da Assembléia Geral para a perpetuação das nomeações dos Presidentes do clube, pela eterna e imperial forma de agir do mesmo círculo de pessoas, pertencentes ao Conselho Deliberativo e sócios natos. 6. A Constituição da República garante a todos os brasileiros os direitos à defesa ampla, com os meios e recursos a ela inerentes. Do mesmo modo, garante a propriedade e sua função social. O direito de ir e vir, o direito à cultura, aos desportos, educação, ao lazer, à dignidade da pessoa humana. Particularmente, encarrega o Estado, a sociedade e a família para a proteção dos direitos das crianças, em seu elenco vasto de situações. Neste particular, dezenas de menores compareceram ao abaixo assinado, relatando várias idas e vindas ao CGAC sem atendimento, por falta de pessoas para tal e quando encontrava alguém, ouviam que o clube estava fechado para novas inscrições. Muitos deles, às vezes acompanhados de seus pais, relatavam êxitos em outras agremiações, como Flamengo, por exemplo. Eis que, para a valorização profissional do atleta, o mesmo deve treinar em clubes “federados”, que é o caso do CGAC. A depender da gestão rude do Campusca, nossos menores estão alijados da possibilidade de crescimento esportivo e, por consequência, impossibilitados de aprender, treinar, e quem sabe, do aparecimento de um ídolo esportivo, capaz de representar o Brasil em 2014 e 2016, gerar capacidades, empregos e rendas. 7. Outro fundamento constitucional é o que prevê a disponibilização de todas as informações constantes de cadastros públicos ou privados, para o conhecimento de todos. Ora! Se algum processo citar, envolver, condenar, tramitar ou seja lá outra denominação, mas não existindo representante legal da sociedade, todos os sócios tem a legitimidade para estar no processo e promover suas defesas, quanto mais, o simples direito de reproduzir por cópia todos os processos existentes, pelo menos para o conhecimento dos legítimos representantes do clube e possíveis decisões resolutórias. 8. A CF/88 encarrega o Ministério Público para a defesa dos interesses difusos e coletivos. No entanto, instado pelo protocolo 149662, a Promotoria da Tutela Coletiva, do Consumidor e do Contribuinte, indeferiu o pedido para o recebimento de representantes da Comissão em Prol do Campusca, estando em recurso administrativo, até porque, ainda que bilionário, ninguém poderá pleitear direito alheio, senão o Ministério Público. 9. A Defensoria Pública ligada às Varas Cíveis de Campo Grande, condicionou o atendimento à apresentação da hipossuficiência de todos os associados – quase 50 mil e ainda, desconhecidos. 10. Diversos advogados questionados não aceitaram o encargo ou, aceitando, para um ou outro processo, não apresentam referidas cópias. 11. O Cartório Secretário cumprindo normas internas afirmou não ser permitida a retirada de processos, senão por advogado. Do mesmo modo o fornecimento de cópias pelo juízo. DA EXCEPCIONALIDADE DESPORTIVA DO BRASIL O Brasil conquistou o direito de se constituir na Capital Mundial dos Esportes até 2016. Por certo a nação precisa se valer de seus desportistas, estádios, arenas e outros equipamentos. O governo tem investido em estádios públicos e privados, ao mesmo tempo em que disponibilizou 10 bilhões para a recuperação de estádios com essa necessidade, sendo o Estádio Ítalo Delcima um exemplo típico de possível ajuda governamental, prejudicada por ações contrárias aos interesses corporativos, por descumprimento de obrigações fiscais, legais e estatutárias, por gestores alheios ao quadro associativo, mas sim nos negócios em desproveito dele e a oportunidade, talvez única, de recuperação, bastando que se cumpra a norma jurídica, o que não se verifica por décadas.O direito sofre os efeitos que se protraem no tempo, já tendo decorrido 8 meses do período glorioso que confere ao Brasil o título honroso de Capital dos Esportes, não havendo tempo a perder. DOS PEDIDOS Tentados todos os meios para a solução da questão e não logrando êxito, não restou à Associação Cultural da Zona Oeste, os pedidos que se seguem 1. Requer o fornecimento de cópia xerografada do processo em epígrafe para a disponibilização aos sócios alheios ao mérito do mesmo, através dos arquivos da Associação Cultural da Zona Oeste. 2. Requer o chamamento do Ministério Público, para integrar o processo, na defesa dos direitos difusos e coletivos, por falta absoluta de legitimidade de representantes da entidade, legalmente constituídos pela soberania das Assembléias Gerais, em processos eletivos idôneos ou, ainda que autorizados judicialmente, tais processos não atendam às disposições legais pertinentes. 3. Requer o recebimento de subscritor, na qualidade de representante da Comissão em Prol do Campusca ou grupo de associados para discorrer sobre o mérito do processo. Contatos: Gilberto José Muniz. 2415.4464 e 9285.5704. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. www.culturalzoeste.com.br Campo Grande, RJ, 14 de setembro de 2011 Gilberto José MunizACZO – Comissão em Prol do Campusca Última atualização (Qui, 22 de Setembro de 2011 00:49) MUSEU DE CAMPO GRANDE - Histórias da juventude na Restinga da Marambaia
Nasci na Rua Aricuri, 412, Capoeiras, próximo à Antiga Estrada Rio São Paulo, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ao lado da casa do Sr.Antônio e sua esposa Izabel (Cici, como sempre foi chamada), numa casa provisória construída por meu pai Manoel Muniz e as demais pessoas da família de meu avô materno. Embora tenha morado apenas 3 ou 4 anos, depois de construída a nova residência e a mudança para a Rua Jiçara, 428, voltava quase que cotidianamente à Rua Aricuri, para estar com meus avós, tios, primos, vizinhos e amigos. O ambiente era delicioso. Minha avó Antolina Maria da Conceição era portuguesa e capaz do preparo do café delicioso acompanhado de guloseimas caseiras e adoráveis e meu avô, caboclo, neto de escravo e índio. O surgimento e formação da família de meu avô foram muito curiosos e será objeto de texto à parte, mas dadas as particularidades que envolveram o caso, farei breve comentários. Naquela época , meus bisavós maternos, que não conheci, moravam ao lado do sitio onde morou Freire Alemão, na Estrada do Guandu do Sena, no Mendanha, Campo Grande, Rio de Janeiro, então Capital do Império. Naquela época, as liberdades eram poucas, atrelando o poder paterno até o casamento. Eis que, resolvido a casar-se, meu bisavô, solicitou a seu pai, meu trisavô, que pedisse a mão da moça bonita e prendada do sitio vizinho, autorização para o namoro e consequente casamento. Em seguida ao pedido, meu bisavô recebeu, por adiantamento da herança, uma área de terras para a construção de sua casa e constituição da família. A casa se assemelhava àquelas da época, com anexo para depósito da produção do sítio. Cavilosamente, seu depósito foi construído longe da casa. Por fora, lembrava o depósito, mas por dentro, na verdade era outra casa, com todos os cômodos que uma casa requer. Embora sitiante, possuía meu bisavô o poder de polícia, como comissário do Mendanha. Ocorreu que na festa do casamento, meu bisavô se fez acompanhar de meia dúzia de amigos policias (uma espécie de jagunços), que já conheciam a questão dele e se dispuseram a evitar contratempos e até violência, o que não houve. Na verdade, a escolha pela noiva era para minha bisavó Teresa, mas no atendimento do pedido o futuro sogro dele nominou Izaltina, por ser a mais velha. Assim, depois do casamento, agora com o poder advindo dele, que não admitia contestação, enquanto 3 policiais armados tomavam conta da esposa Izaltina, ele voltou à festa acompanhado de 3 policiais também armados, levando consigo sua amada Teresa. E assim foi durante toda a vida da família. No princípio elas não se falavam embora bastante próximas uma da outra. Mais os efeitos que se protraem no tempo, acalmaram os ânimos com a união da família numerosíssima, de 22 filhos. Por intermédio de meu avô e tios avós – os 22 irmãos, soube que meu bisavô e Trisavô eram músicos e caçadores exímios entre outras habilidades. No entanto, com relação aos meus tios avós, tanto os conheci como participei das “tocadas” deles, em vários locais, principalmente na casa de meu avô, que promovia encontros musicais diariamente, no cair da tarde, logo após seu retorno do trabalho, às 16:30, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Itaguai, hoje Seropedica. Ao escrever este texto, a memória e as lembranças, se vão avivando no tempo, se afigurando mesmo, minha presença, sentado à sala onde os músicos desenvolviam suas habilidades. É como se internamente, estivesse vendo, ouvindo e sentindo as execuções de Amoroso, Chorando baixinho, Um a Zero, as composições de meu avô, de meus tios, as vozes de meus primos em segundo grau, como Lili, magnífica interprete. A casada de direito – Izaltina, teve 11 filhos, sendo 2 mulheres e 9 homens e à do amor – Tereza, exatamente o simétrico, 2 homens e 9 mulheres. A questão é por demais extensa e complexa e será abordada futuramente.Voltando à Restinga da Marambaia, acaba retornando à casa de meus avós. Após a parada para o café sagrado de todos as tardes, estando todos, músicos, os familiares, eu e o Sr. Antônio. Ele era aposentado como intendente graduado do quartel da Restinga da Marambaia, a qual era muito afeiçoado e pescador assíduo, sendo sua pretensão, além do evento musical, a de angariar parceiros para a pescaria na restinga, só conseguindo um, que estava de folga, razão pela qual acabei sendo convidado à pescaria, mesmo ainda aos 15 anos. No dia marcado, partimos em jipe, com todos os equipamentos de pescaria. Por mais que alegasse minha completa inexperiência, minha ida era tida como certa, exculpado na prática, necessária à experiência. Chegando à Barra de Guaratiba, ao passar pela portaria, houve a conferência de praxe nos quartéis com a inclusão dos nomes dos companheiros do Sr. Antônio e sua assinatura no termo. Em seguida fomos ao café oferecido aos visitantes e militares em serviço, onde aliás, encontrei meu primo Edelmiro, provador de tiros e munições, em meio à degustação e aquele bom papo. Seguindo pela restinga à dentro, são 18 km, mas paramos a meio de caminho, para a pescaria. De vez em quando passava militares acenando para nosso grupo. Mais de uma hora depois, nenhum peixe foi fisgado. O tempo foi passando e nada. Horas depois, de repente minha linha estica, puxada por algum peixe. Foi um delírio que me deixou estupefato, sendo socorrido pelo Sr. Antônio, que, dando linha e outras providências, o peixe foi aparecendo até chegar às nossas mãos. Tinha mais ou menos uns 30 cm. Era pequeno. Em seguida, o Sr. Antônio, declarou encerrada a pescaria, pelas condições adversas do mar. Na saída, passando pela estrada que margeia a restinga, avistei novamente meu primo, que atendendo a meu pedido mostrou a forma de realização de seu trabalho, exibindo estacas de demarcação de balas, alvos perfurados e outros mecanismos de controle de armas e munições. Nunca mais retornei àquele lugar. Anos mais tarde, acompanhado de minha namorada e hoje esposa, lá se vão quatro décadas, Selma Regina Martins Muniz e amigos, não fomos autorizados a entrar na restinga, por falta de acompanhante credenciado. Meses antes do casamento, procurando casa para alugar, enquanto a própria terminava a construção, fomos convidados pelo Comandante da Ilha de Marambaia, Capitão Lenine de Almeida, sujeito de grande caráter, idoneidade, profissionalismo, companheirismo e sociabilidade, onde se situa a Escola de Marinheiros, tendo sido recusado por minha noiva, por receio de isolamento entre a população exclusivamente masculina e militar, recebendo outro convite, este aceito, para ocupar a residência de paria do Comandante Lenine, em Saquarema, sendo seguido de outros locais da Região dos Lagos. Foi maravilhoso. Hoje, na qualidade de Presidente da Associação Cultural da Zona Oeste, notadamente quanto institucionalização do Museu de Campo Grande e a formação de seu acervo, vejo a grandeza da ocupação militar daquela área de Guaratiba [que inclui áreas fora da restinga, como mangue e grandes extensões de terra, também ocupadas pelas Forças Armadas, de modo providencial], para a proteção ambiental, rústica e a prevenção da ocupação desordenada por favelas ou condomínios de luxo, planejados e tentados execução pelos governos do Rio de Janeiro, numa similaridade com Cabo Frio, pela construção de canais marítimos, casas de luxo que, por certo afastaria a população própria, já ambientada à região, o que modificaria por inteiro o urbanismo de Guaratiba, afetando sua memória e degradando drasticamente o meio ambiente terrestre e marítimo, por afetar negativamente a desova marinha e o ecosistema. Gilberto José Muniz PresIdente da ACZO
Última atualização (Qui, 22 de Setembro de 2011 00:51) MUSEU DE CAMPO GRANDE - minha infância em Capoeiras
Nossa casa definitiva na Rua Jiçara, 428, Centro de Campo Grande, não me lembro bem, se já havíamos nos mudado ou se ainda estávamos morando na casa provisória no meio do terreno da propriedade de meus avós maternos, na Rua Aricuri, em Capoeiras. A testada do terreno era cercado por arame e colunas de madeira. Do lado de dentro do imóvel, bem no rumo fronteiriço, havia 3 ou 4 pés de buchosa”, era como conhecíamos o nome daqueles frutos vermelhos, diferentes, de massa compacta e ligeiramente doce, sabor mais para neutro do que outra coisa. A cor de ambos os frutos era vermelha, sendo arredondado os do café e afunilado e com uma extremidade pontiaguda, os da buchosa. O formato das folhas lembrava as do pé de café, inclusive na espécie e tamanho do arvoredo. O fato é que antes de amadurar, a cor dos frutos era a do barro ou tijolo, como se conhece mais amiúde. O visual mudava, contrastando o verde das folhas com a cor berrante dos frutos, anunciando a proximidade da colheita. A pouco e pouco, conforme amadurecia, a consistência mudava de dura como fruto da amendoeira, para a forma mais macia como a dos morangos. Se numa mastigada de morango, laranja ou caju, por exemplo, a sensação é a de 95% de líquido escorrendo pela boca e só 5% concentrado, na da buchosa, a parte liquida era meio a meio com a concentrada, mas continuava macia. Na idade adulta, quando encontrei esses frutos à venda numa banca de feira livre, o nome que ostentava era “Cereja do Perú”, mas nunca me interessei em pesquisar o assunto. Em determinado dia estávamos eu, com 5 anos, meu irmão Adalberto Antônio Muniz, 7 e nossa prima, Theresa, filha de Domingo Carvalho, que tocava flauta de bambu, cuja idade regulava a nossa. Meu avô José de Carvalho, trabalhava na UFRRJ, em Itaguai, hoje, Município de Seropédica, sendo exímio agricultor, inclusive quanto aos enxertos. Havia uma planta ornamental com vários galhos enxertados, de tal modo que mostrava uma variedade grande de flores e cores diferentes. Havia também enxertos de frutas, como limão e outras. A cana era do tipo “caiana”, macia, doce e maravilhosa. Minha avó, Antolina Maria da Conceição, era a personificação da pureza, delicadeza, grandeza de espírito, bondade e pessoa que, mesmo com poucos recursos, mantinha a casa alegre, farta e agradável, por sua sutileza e vasta experiência na cozinha. Naquela época os tempos eram difíceis, com dinheiro curto e a padaria longe e poucas variedades à venda. Nos cotidianos das “tocadas” em sua casa, o lanche era sempre primoroso, preparado em fogão à lenha. As compras eram mensais, na Venda do Diogo. Os gêneros eram em latas de 20 kg, de gordura (banha) ou manteiga, por exemplo. Assim, conforme se aproximava o final do Mês, os gêneros rareavam, dificultando a preparação dos petiscos para o café da tarde. Os frequentadores eram em sua imensa maioria irmãos de meu avô ou parentes próximos, havendo bastante intimidade comum, sendo verdade que muitas frequentadores assíduos das tocadas, traziam de casa, ramas de aipim, batata doce, fruta pão e outros para a preparação do café, para 5 ou 15 pessoas. No entanto, às vezes, acontecia a falta de gêneros para um preparo adequado dos petiscos. Se faltava o açúcar, o mel, melado ou rapadura adoçava o café. Se faltasse biscoito, pão ou farinha de trigo, o jeito era improvisar e fritar o “pelotão de feijão”, uma espécie de kibe, bolinho de arroz, torresmo e tantas outras guloseimas, que aquelas mãos abençoadas transformava de um nada, em petiscos maravilhosos.Naquele fim de tarde, começavam a chegar os músicos, carregando violões, cavaquinhos, flauta, pandeiros, banjos, clarinetas, sax e outros, de modo que as atenções se voltaram para eles. Com a chegada de minha prima, nós três resolvemos comer buchosa, cujos arvoredos se mostravam avermelhados de tantas frutas apetitando a colheita. Ao nos aproximarmos, vimos que os troncos estavam concentrados com lagartas, uma ao lado da outra, encobrindo totalmente a madeira do tronco, talvez aguardando o anoitecer para comer os frutos. Alguém teve a ideia de removê-las, com o auxilio de pequenos galhos e amontoá-las no quintal. Em seguida, aproveitando o burburinho das pessoas, algum de nós apanhou uma garrafa de álcooal, despejando o líquido sobe o monte de lagartas, inclusive em minhas pernas. Bastou o acender do fósforo, para a explosão do combustível, que não poupou minhas pernas. Naquele Deus nos acuda, alguém se lembrou de seguir até a Antiga Estrada Rio São Paulo, a menos de 100 metros da casa, conseguindo desviar o “lotação”, que nos levou direto ao Hospital Rocha Faria, para o socorro imediato. [naquela época havia mais consideração e respeito para com o ser humano. O lotação desviou sua rota, seguindo direto para o hospital, com todos os passageiros, sem parar uma única vez e sem reclamações]. Não lembro exatamente os detalhes da explosão e queimadura das pernas, embora, já adolescente, sempre ouvia relatos sobre o acidente. Porém, o que se afigura nítido em minha memória são as “bolhas” estourando em minhas pernas, tal qual aquelas do arroz, quando aos momentos antes do término do cozimento. Outra lembrança são as cicatrizes das queimaduras, ainda à mostra hoje, aos 62 anos de idade. [A fotografia do lotação que ilustra o texto, mostra o itinerário Campo Grande – Rio da Prata, embora o veículo citado pertencesse a outra linha, que não me acorre nome, mas do outro lada de Campo Grande] Gilberto José MunizPresidente da ACZO
MUSEU DE CAMPO GRANDE - PREÁ E O RIO DA PRATANos anos 60/80, trabalhava na Cimento Irajá S/A, na Av. Meriti, em Parada de Lucas, RJ. Exceto em alguns dias, quando as obrigações profissionais impunham, costumava vir para casa, em Campo Grande, às 17:00 hs, chegando pouco antes das 18:00 hs. Era comum uma passada no Rio da Prata, na casa de Selma Regina Martins Muniz, na época, namorada, noiva e hoje esposa, lá se vão quase 4 décadas. Meu sogro – João Martins, era caminhoneiro e negociava com minerais para construção em seu basculante Chevrolet azul, que costumava ficar estacionado no Largo do Rio da Prata, após sua chegada, enquanto ele fazia compras e batia um bom papo com os amigos, no armazém do Albano, Bar do Ênio, do Carvalho ou mesmo na praça. Certa vez perguntei a ele sobre a administração de seus negócios. Mais precisamente, se havia períodos sem trabalhos e outros acima da capacidade de atendimento. Ele respondeu que a praça era uma espécie de escritório onde se realizavam os pedidos, pagamentos e outros. A praça era o “ponto” do caminhoneiro, mas que havia faltas num período e excessos em outro. O que ele e outros amigos faziam era a passagem de algum pedido, tanto dele para outros, como de outros para ele, contrabalançando as capacidades mútuas. Constante presença na praça era a de “Preá”, um trabalhador braçal autônomo muito chegado à “marvada”, que capinava, limpava e fazia outros serviços correlatos à sua atividade de trabalhador braçal em proveito para todos. Com serviços e mais serviços solicitados, ele poderia faturar uns trocados para melhorar sua vida, mas nada. Nem banho tomava, acusado pelo fétido das roupas maltrapilhas, por conta da "marvada" propiciada por um serviço ou outro. Preferia o papo o dia inteiro nos bares e na praça, como se fosse um sitiante para quem a natureza se encarregava da produção de mangas, goiabas, caquis e outros produtos agrícolas. Ao passar de automóvel pela praça, avistei Preá e gritei pelo seu apelido. Um amigo próximo me advertiu de possível encrenca com ele, que não admitia esse nome. A surpresa do amigo foi maior, quando Preá, sorridente veio a meu encontro e meu amigo disse “ele mudou” e eu retruquei. Apenas silalisei com os dedos que haviam duas doses de goró pagas no Albano! ele, bem entendendo, nem chegou à nossa presença, indo direto tomar a pinga.
Se o leitor participou ou conhece alguma história sobre o passado de Campo Grande e achar conveniente sua publicação nesta página, em site próprio ou em outras midias, para a preservação de nossa memória, faça-o, Campo Grande agradece. Nossos contatos: Gilberto José Muniz. (21) 2415.4464 e 9285.5704. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. www.culturalzoeste.com.br |
Copyright © 2009 --- All Rights Reserved.
Template by Sielfree.Com Recensioni film e trailer