A ASSOCIAÇÃO CULTURAL ZONA OESTE E O PROJETO BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MUNIZ, MANOEL E JOANA
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Em 1936 Manoel Camargo, então com 18 anos, liderou um grupo de pessoas de Campo Grande, fundando uma biblioteca comunitária que funcionou na Rua Albertina até os anos 50, sob a administração e contribuições da própria comunidade.
A congregação das forças da comunidade venceu a distância de 130 km de ida e volta ao centro, as dificuldades de transporte, a inexistência de livraria, biblioteca pública e inércia do estado, acendendo muita luz na escuridão da área da educação. 20 anos mais tarde, o estado recebeu por doação o acervo de 600 obras, passando a gerir e patrocinar aquela biblioteca, sendo até hoje, a única pública da localidade, com funcionamento no prédio da Administração Regional de C. Grande.
Sendo notável a iniciativa do Sr. Camargo, principalmente por sua idade tenra, por lamentável, nos documentos históricos da biblioteca, o nome dele não consta como seu instituidor, mas sim o da pessoa que processou a doação.
Quando comunitária, a biblioteca atendia as necessidades dos estudantes de todas as áreas, dando acesso aos futuros médicos, advogados e engenheiros, mas hoje, a exata mesma biblioteca, é exclusiva ao ensino fundamental, decaindo de sua qualidade e oportunidade e alcance.Por assim dizer, se transformou num caos geral. Longe do centro, localização no segundo pavimento e com a rampa de acesso, interditada por mais de uma década. A Prefeitura, irrefletidamente, diminuiu o espaço físico para a instalação de mais uma unidade do TRE e este, pertencendo ao Poder Judiciário, a quem cabe o poder de declarar o direito das partes, maculou os direitos das crianças em proveito próprio, enquanto na rua Amaral Costa, em frente à Igreja Nossa Senhora do Desterro, funciona, bem no coração da cidade, o setor de manutenção, com manuseio de britas, pó de pedra, areia, manilhas, tijolos, oficina, caminhões e tratores, atividades estas proibidas pela própria prefeitura.
Também a biblioteca, bem observadas a lei e a moral da vida, está proibida de se estabelecer longe dos leitores, principalmente por inexistir transportes públicos com linhas circulares, o que obriga ao leitor ao pagamento de 2 passagens de ida e 2 de volta, ou o dobro, quando se tratar de menores acompanhados. Com R$ 18,80, muita vez, pode-se comprar um livro novo, no lugar do usado que se lê na biblioteca.
Nossa história, não registra a existência de livrarias de verdade – [que tem cheiro de livro e ambiente literário], mas sim lojas de tralhas, que também vendem livros, o que é outra coisa. No ano passado, pela primeira vez, instalou-se uma livraria no West Shopping, fechando em seguida, por falta de clientes. O JB, revista Piauí e outras mais independentes e de conteúdos robustos, também deixaram de circular pelo mesmo motivo.
Bibliotecas existem, mas restritas aos alunos das instituições particulares regularmente matriculadas e contribuintes, onde as pessoas da comunidade são proibidas de freqüentar. A OAB/C.Gde., a Escola Superior de Advocacia, o Fórum e o ICC, não dispõe de bibliotecas.
Fundado em 1937 o INL foi extinto em 1990 e, assim, o órgão pensante da questão do livro, evaporou-se. Em 2008 o Min. Juca de Oliveira propôs sua recriação, passando a depender do Poder Legislativo. Segundo o ministro, o livro não pode ser apresentado como um problema, uma obrigação, uma tarefa. No seu entender, o livro é uma riqueza que potencializa a dimensão humana de cada um, e a leitura tem que ser apresentada como algo prazeroso, que pode abrir horizontes, descortinar universos. Nesse sentido, a família, a escola e toda a sociedade são importantes nesse processo.
O senador Cristovam Buarque disse que o Brasil se faz por manias”, afirmando, em seguida, que “ainda não conseguimos fazer uma mania de leitura no país”.
O que podemos ver e sentir é o aferrolhamento amplo, geral e irrestrito do livro. Com todas as carências na questão dos livros, a SEOP (ordem pública), depois de iniciadas as armações da Feira de Livro Usados de Campo Grande, em março/10, a Guarda Municipal, tratando o livro como algo fora da lei, determinou sua saída. Daqui, a feira se instalou em Nova Iguaçu, município do mesmo Estado do Rio de Janeiro e do mesmo país. Pior. No mesmo município, o tratamento é desigual, sendo autorizadas feiras em Copacabana, Cinelândia, Rua da Carioca e tantas outras. Em outras palavras, é como se nossos cidadãos fossem de segunda classe ou “vira latas”, mesmo.
Parece que a República não se afigura em Campo Grande, prevalecendo medidas de império, discriminando os cidadãos conforme sua condição social e outras barbaridades. Um jornal local afirma que o DORJ mostra a parceria entre a prefeitura e a ACICG, onde a rua Cel. Agostinho (Calçadão de Campo Grande) é tratada por nome diverso, mas de interesse do comércio e batizado pelos empresários – Pólo Comercial de Campo Grande, bem no meio da via pública. O túnel, tomado das pessoas, também mudou o nome para “Camelódromo”.
Grande poder político demonstra possuir os empresários locais, logrando êxito em ocupar o olho da rua para vender suas mercadorias. As marquises, destinadas as pessoas, passaram a proteger as mercadorias dos comerciantes. E dos Grandes, como Casas Bahia e outras, enquanto os pedestres transitam pela chuva ou sol e em espaços reduzidos para 10% da largura da via pública original e em meio às mercadorias exibidas pelo comércio. Conforme a mídia, a média diária do trânsito de pessoas é de 300 mil pessoas.
Os canteiros de jardim encontram-se à terra nua e em alguns, são armazenados papeis usados. Num ou noutro canteiro, a planta Coroa de Cristo, cresceu várias vezes o seu tamanho, estendendo-se para o alto e lados, proibindo a utilização dos bancos, por picarem as costas pelos espinhos derivados da falta de tratamento etc etc etc.
Não bastasse a transformação da via pública em território particular de comerciantes, esses ainda se dividem em grupos, permitindo ou não atividades comerciais no meio da rua, sendo este o motivo predominante para a expulsão da feira do livro, considerada eminentemente comercial.
O perfil do comércio foi mudando para tecidos, eletrodomésticos e outros, expulsos, incluindo os bares e, naturalmente, o sagrado direito de se sentar numa mesa e apreciar, com a família ou amigos, um bom café, refrigerante, chopp e outras coisas próprias dos bares e boas da vida.
A prefeitura tentou atender aos direitos dos pedestres instalando 4 banheiros químicos, mas não se compreende a razão para o seu não funcionamento depois de 3 anos das instalações.
Como a estratégia da BCMMJ é a mesma da gravidez, onde o parto é obrigatório, assim se espera, tranquilamente, a resolução para o estabelecimento de sua sede. Como, ao ceder obras para o CEMS, as remessas foram de pouco a pouco e devidamente acompanhadas de relações e mais de um ano depois, ainda sem abrir as portas ou emprestar à comunidade, as obras serão devolvidas, e de uma única vez e não se possui local para o seu armazenamento, sendo a solução encontrada o empréstimo no calçadão e sem ônus, como é nossa forma de atuar.
Ocorre que a SubPrefeitura consultada, negou permissão, mesmo com operações isentas de custos, pertencer à comunidade e a rua ser pública e a situação caótica dos livros.
Foi solicitada audiência com o prefeito e se espera a permissão legal para tanto.
Uma vez autorizada a instalação da BCMMJ, vários recursos serão necessários, como 2 quiosques parecidos com os utilizados pela feira do livros, 6 mesas de abrir com cadeiras e 3 estandes, tipo barraca de feira livre e voluntários para operar, pelo menos 3 vezes por semana, das 12:00hs às 18:00hs.
Voluntários.
Os trabalhos voluntários devem ser eventuais e, quanto maior o número de pessoas, menor as horas de trabalho. Para cada expediente deverão atuar 4 voluntários, gerenciando as operações. Cada voluntário deve escolher, livremente, o tipo e horários do voluntariado, para 1 vez por semana, por mês, por ano ou eventualmente.
Local de armazenagem
Para facilitar os trabalhos é preciso encontrar algum espaço para guardar as mesas e barracas tipo feira livre desmontáveis, no ou próximo ao calçadão.
Barracas e quiosques
O Sr. Fernando aluga estandes para a Feira Rio Antigo e outras no centro. Ele pode nos emprestar 3 unidades, mas é preciso o transporte para Campo Grande.
Ele sugeriu contato com o locador da feira de Campo Grande. No domingo passado, deixei meus contatos com seus funcionários, mas não recebi retorno.
A feira de livros encontra-se na Rua da Carioca, sendo preciso obter os contatos com algum livreiro.
Contatos
Gilberto José Muniz: tels: (21) 2415.4464, 8603.8366 e 9285.5704